segunda-feira, abril 24, 2006

casa habitada

Vivemos na mesma casa, que é nossa. Faquires os dois, em camas separadas.
Passas longas temporadas fora e eu preocupo-me em manter o computador ligado, o cinzeiro sem beatas e a janela aberta para que não te falte a maresia.
O meu quarto é uma enorme janela onde todas as noites há lua cheia.
Ao fundo do corredor pintámos o espaço dos teus filhos e no frigorífico há sempre as coisas de que eles gostam. Eu trato disso.
Dia sim, dia não, tropeçamos num brinquedo abandonado. Deles, teu ou meu, e rimos.
Quando te apaixonas, invades-me o quarto sem pedir licença, ajoelhas-te aos pés da cama e cantas-me tudo. Na tua música conseguimos voar.
Quando eu me apaixono, há em mim uma luz que tu sentes de longe. Aproximas-te para tentar entender e eu digo "amo-te, mas tens bater antes de entrar".
Às vezes, a meio da noite, dizes "tive um pesadelo. Posso dormir na tua cama?" Damos as mãos e adormeces sem sobressaltos. Outras, sou eu que peço para dormir no teu abraço.