terça-feira, junho 06, 2006

situacionismo surreal

Ontem à noite, no café literário da Feira do Livro do Porto, ainda não era o dia da Besta mas já só saiam ideias do Demo.

Num encontro de poetas mais ou menos surrealistas, moderado por Adolfo Luxúria Canibal, alguém perguntava "onde estava o poema antes de ser escrito", uma outra forma de saber onde iam eles buscar aquelas ideias. E foi então que João Habitualmente nos confidenciou que a criatividade era assunto que sempre o tinha preocupado. E que nisso achava o estatuto de poeta algo injusto. Os artistas plásticos é que tinham sorte porque podiam sempre partir de um modelo nu. E que, ainda segundo o João, não custava nada ser criativo com uma mulher despida pela frente.

Ficou decidido. João Habitualmente e Valter Hugo Mãe vão começar a organizar uma base de dados de voluntárias dispostas a incentivar a criatividade. (Não, não tenho o contacto!)

Eu não quis deitar água naquela fervura mas há a necessidade de dois reparos. Um, conheço vários pintores e escultores e não me consta que seja assim fácil. "Pinto, logo tira a roupa!" Ia ser um sucesso lá para o lado das Belas Artes. Dois, a falta de paridade! Meus amigos, as poetisas e os poetas gay também têm direito à vida e à sua criatividade. Ou não?